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Theatro São João

O Theatro São João é o atual estágio da sociedade Recreio Familiar, que funcionou em Taquari no século XIX e congregava a sociedade taquariense para divertir-se de acordo com os costumes da época, onde pontificavam os ordenamentos da Igreja Católica, embora de forma pouco menos rígida e com mais liberdade de expressão que as ligadas diretamente à Paróquia e orientadas pelos padres.

No fim do século XIX, em 1893, foi inaugurado o prédio onde atualmente funciona o Theatro São João, substituindo um pavilhão rústico que havia no local.

Somente na década de 1930 o Theatro constituiu-se como sociedade juridicamente organizada, com a denominação de Sociedade Cultural Theatro São João e foi registrada no cartório competente.
A tradição verbal que chega até nossos dias dá conta de que o Theatro São João serviu para apresentação de artistas taquarienses, entre eles sendo lembrados Albertino Saraiva, Leonel Theodorico Alvim, Seucré, a prof. Ana Voges e seu marido Leopoldo Voges e outros.

Pela facilidade de ligação de Taquari com Porto Alegre, através dos Rios Taquari e Jacuí, era comum, segundo se sabe pela tradição oral, a apresentação, no São João, de artistas que vinham de Buenos Aires ou do Rio de Janeiro para cumprirem temporadas no Theatro São Pedro. Mas não era somente por essa facilidade que eles vinham. Triunfo e São Jerônimo são cidades ribeirinhas, que eram servidas pelos vapores, que não ofereciam condições para apresentações teatrais. O Theatro São João era o algo mais que Taquari oferecia.

Com o advento do cinema, a incrível criação dos irmãos Lumiére, na França, o Theatro São João passou a ser usado, também, para a exibição de filmes, adotando o nome de fantasia Cine-Teatro São João, ainda hoje impropriamente usado por muitos.

Nos anos quarenta do século passado, guardiões da cultura e das artes criaram a Companhia de Amadores Teatrais Anna Voges – CATAV, que homenageia a talentosa professora de piano que ensinou gerações de taquarienses. Foi a época de ouro do Theatro São João. Peças montadas em seu seio e apresentadas em seu palco eram depois apresentadas no Theatro São Pedro, em Porto Alegre, até hoje o monumento maior da dramaturgia riograndense. Sofia da Costa e Silva, João Carlos Voges Cunha, Plínio e Consuelo Saraiva, Arlindo Vianna Job, Albertino Antônio Saraiva, Odite Leite Bizarro, Oscar Bizarro Teixeira e muitos outros eram artistas, administradores, diretores, peludos, na saudosa companhia.

Nos anos 60/70 Oscar Bizarro Teixeira inconformado com o desaparecimento do CATAV, agrega os artistas taquarienses em torno do Teatro de Amadores Taquarienses – TAT, que fez renascer com muito brilho a época áurea do Teatro São João.

A partir de então, com a crescente melhoria da qualidade das transmissões da televisão, presente desde 1958 na região, com a TV Piratini, as apresentações cinematográficas e teatrais no Theatro São João e em outros locais entraram em franca decadência. Concorreram, também, para o abandono do Theatro os desaparecimentos de Nardy de Farias Alvim e, posteriormente, de Antonio Pinto Rego Junior.

Árfio Dá-Ré, por muitos anos foi locatário das instalações do São João e responsável pela projeção de filmes, e foi seguido por outros locatários, intercalando-se entre uma e outra locação, a exploração do cinema pela própria sociedade. Sempre os locatícios previam o uso das instalações para peças de peças teatrais.
Francamente decadente nos anos 1980/1990, o teatro foi finalmente fechado.

Equipe liderada por Flávio Oliveira Kern se empenhou em obter verbas junto órgãos estatais e iniciou uma reforma do prédio, com a intenção de tornar viável o uso do velho prédio centenário. Foi reformado o telhado e realizaram-se obras internas para ampliar e modernizar os espaços úteis da casa de espetáculos nos anos de 1990. Tendo cessado a obtenção de verbas junto aos órgãos governamentais, a inércia se apoderou da equipe, que abandou as atividades de reforma por mais de 10 anos.

Em 2002, quando o Theatro São João completava 109 anos, o Grupo Raízes resolveu realizar um espetáculo de danças em seu palco. Com a colaboração de vários setores da sociedade, as instalações foram precariamente colocadas em condições de serem usadas e o espetáculo foi um sucesso. Viu-se que com um pequeno investimento, com recursos que poderiam vir da própria sociedade, o Theatro poderia voltar a funcionar precariamente, enquanto se encaminhariam projetos para obtenção de recursos para a concretização total da obra. A equipe que dirigia a Sociedade Cultural Theatro São João ofereceu resistência à idéia, apesar de lá estar de forma irregular, em desacordo com as normas estatuárias. Iniciou-se então uma campanha para que a diretoria fosse substituída. Sócios preocupados com os destinos da sociedade convocaram, na forma dos estatutos, a Assembléia Geral para que nova diretoria fosse eleita. O Presidente não concordou, não julgou legítima a assembléia. Paulo Fernando da Silva Seixas, apoiado por um grande número de sócios, notificou através do Cartório dos Registros Públicos, o Presidente para que os estatutos fossem cumpridos, principalmente para que se realizassem eleições e houvesse prestação de contas.

Finalmente em janeiro de 2004, a diretoria que comandava o Theatro há mais de 10 anos convocou a Assembléia Geral e uma nova diretoria foi eleita.

A nova equipe, capitaneada por Paulo Fernando da Silva Seixas, logo se lançou na realização das melhorias necessárias e possíveis de serem concretizadas.

Apesar de faltar muito (cadeiras, camarins, pano de boca, rotunda, etc), hoje o Theatro São João conta com dois banheiros (masculino e feminino), instalações elétricas seguras, aberturas fechadas e oferece condições para que nele se realizem grandes espetáculos.

O ESPETÁCULO JÁ COMEÇOU. VAMOS APLAUDIR DE PÉ.

Mais informações visite o site www.teatro.taquari.com

Danilo Lux

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