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Para entendermos os efeitos das bruscas mudanças na taxa de câmbio sobre as exportações, precisamos voltar alguns anos até meados de 2000.
Entre o final dos anos 90 e início de 2000 o governo federal lançou a meta de 100 bilhões de dólares em exportações. A partir daí começou várias ações entre elas, um forte trabalho de convencimento dos empresários para investirem em aumento da capacidade produtiva e se lançarem no mercado externo. A APEX também já começava a ter um papel fundamental em ajudar na promoção de nossos produtos no exterior.
Os empresários vendo uma tendência de aumento na taxa cambial e acreditando que a política de aumento das exportações era uma boa oportunidade para crescimento, começaram a tomar financiamentos e investir fortemente na compra de máquinas, aumento das instalações e contratação de mão de obra.
Taxa de Câmbio x Ano
Ano |
Janeiro (Reais x U$ 1,00) |
Dezembro (Reais x U$ 1,00) |
Variação |
2000 |
1,80 |
1,95 |
+ 8,3% |
2001 |
1,95 |
2,40 |
+23% |
2002 |
2,40 |
3,54 |
+47,5% |
2003 |
3,54 |
2,90 |
-18% |
2004 |
2,90 |
2,66 |
-8,27% |
2005 |
2,66 |
2,33 |
-12,4% |
2006 |
2,35 |
2,13 |
-9,36% |
2007 |
2,13 |
1,81 |
-15% |
2008 |
1,81 (chegou até a 1,57) |
2,35 |
+29,8% |
2009 |
2,33 |
1,73 (outubro) |
-25,75% |
Conforme podemos observar no quadro acima, até 2004 a alta taxa de câmbio estava ajudando na competitividade dos produtos brasileiros porque mascarava os principais problemas internos, como, deficiência logística, leis trabalhistas ultrapassadas e dificuldades para receber os créditos tributários obtidos com a exportação. Também fica claro a dificuldade de as empresas formarem uma política de vendas e preço do produto com variações anuais altíssimas na taxa que chegam a 47,5%.
A partir de 2005 o Brasil começa a ganhar status de país com economia estável e segura para investimentos e junto com essa condição vem uma forte entrada de capital especulativo atraídos pelos altos rendimentos da maior taxa Selic do mundo! O resultado foi à valorização artificial e acelerada do real (nossa moeda foi a que mais valorizou no mundo!). Os empresários começam a sentir os efeitos e terem sérias dificuldades para vender, pois os importadores não aceitam os repasses de preços necessários para cobrir o “custo Brasil” e defasagem cambial, não há mercado interno suficiente para absorver a grande capacidade produtiva existente e precisam pagar os financiamentos. A estratégia adotada é a venda sem lucro ou com prejuízo para manter a produção cheia e ganhar tempo na esperança de alguma ajuda ou nova política cambial por parte do governo. Como a ajuda não vem, muitas fábricas começam a fechar as portas e outras tentam manter-se abertas diminuído custos e efetivo ficando cada vez mais comprometidas financeiramente.
O governo por sua vez guiado somente pelos bons números da balança comercial e a forte entrada de capitais, informa que está tudo bem! Mas na realidade os bons resultados da balança são gerados por poucas empresas exportando produtos primários e uma venda desesperada e com prejuízos de pequenas e médias empresas que precisavam ocupar suas máquinas. O capital que entra no Brasil é em sua maioria especulativo que fica ainda mais explícito com a variação cambial seguindo diretamente os resultados da bolsa de valores.
Em setembro de 2008 com o início da crise mundial o real começa a ter uma forte desvalorização perante o dólar resultado, entre outros fatores, da grande retirada de dinheiro de países emergentes por parte de investidores estrangeiros.
Esse movimento faz com que os importadores que ainda continuavam comprando, pressionem por diminuição imediata nos preços seguindo a nova cotação e com isso os exportadores perdem a chance de recuperar uma parte dos prejuízos acumulados. Além disso, a crise fez com que as vendas baixassem muito.
A partir de abril de 2009 a taxa cambial começou a cair rapidamente chegando aos atuais U$ 1,00 = R$ 1,73 e acumulando uma perda incrível de 25,75%. Mais uma vez as empresas que continuam exportando não conseguem renegociar os preços na mesma velocidade que o Real valoriza e conseqüentemente tem prejuízos e perdem clientes para outros países.
O resultado prático de tudo isso são empresas fechando as portas, o número de exportadores diminuído e um desinteresse generalizado em exportar.
Agora o governo também enxerga os números da balança comercial despencando (queda de 22,2% nas exportações até junho de 2009) e tenta achar uma maneira de reverter à situação, sem fazer o básico que é criar uma política cambial confiável, investir em infra-estrutura logística e modernizar as leis trabalhistas e tributárias.
Fonte: Diego Heineck |