Enxurrada foi uma verdadeira “tsunami” do Rio Forqueta, acrescido da fúria do Arroio Fão |
Metade do plantel de suínos morreram afogados em Travesseiro |
Camping do Palm-Hep ficou praticamente todo destruido |
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Até uma semana atrás sempre vimos “o raio bater” longe daqui: Blumenau, Vale do Itajaí, Petrópolis, Angra dos Reis, dentre outros. Contudo, as chuvas (verdadeira bomba d’água) que se abateram desde a noite do domingo, dia 3, até o entardecer de segunda, dia 4, principalmente nas montanhas e parte baixa que formam a calha do Rio Forqueta e de outros arroios que deságuam nele ou no Rio Taquari, nos colocaram no mapa das catástrofes naturais, notadamente os municípios de Marques de Souza e Travesseiro. Os prejuízos econômicos (principalmente nas lavouras, estradas, pontes e residências invadidas pelos arroios e rios) e sociais foram expressivos em diversos municípios (Pouso Novo, Progresso, Sério, Boqueirão do Leão, Cruzeiro do Sul, etc.). Agora, o que aconteceu em Marques de Souza, Travesseiro e a zona ribeirinha ao Forqueta e arroios em Arroio do Meio foi algo nunca visto. Vou me fixar nos dois primeiros municípios. Foi uma verdadeira “tsunami” do Rio Forqueta, acrescido da fúria do Arroio Fão. Me criei naquela região. Não vivia na época da famosa enchente de 1941, mas me lembro, como guri, da de 1956. Esta superou largamente a marca daquelas duas. Aliás, não foi uma simples enchente. Foi uma enxurrada incontida, violenta, rápida, semelhante à que presenciamos em Santa Catarina no ano passado levando as águas a atingir locais onde historicamente nunca chegara. Contam os moradores que o Forqueta vinha com ondas de cerca de um metro e, na mesma proporção, subindo rapidamente, invadindo lavouras, chiqueirões, aviários, empresas, casas. Para quem passa por ali pela BR 386 pode ter uma idéia: no canteiro de acesso a Marques de Souza as águas cobriram a rodovia em cerca de um metro e, as do Arroio Fão, batiam na laje da ponte curva que passa sobre ele no pé da serra que sobe a Pouso Novo. A paisagem que sobrou, desoladora: o vale do Forqueta desfigurado, mudando uma paisagem centenária. A mata ciliar desapareceu, em muitos locais o rio alterou seu curso, milhares de suínos espalhados mortos, ônibus preso em meio às árvores, por quilômetros as árvores derrubadas, lavouras varridas (principalmente com milho já em pendão), centenas de casas invadidas de repente pela enxurrada perdendo-se todo o conteúdo, casas levadas pelas águas. Felizmente, nenhuma vítima humana porque, de novo felizmente, tudo ocorreu de dia. Se fosse à noite, por certo contabilizaríamos muitas perdas de vidas. Assim, deu tempo que pessoas subissem em árvores, nos telhados e outros locais, esperando, por até 8 horas, pelo socorro que por fim veio. E as administrações municipais, coitadas, com suas finanças já combalidas, quase sem saber por onde começar, se vêem às voltas com despesas assombrosas imprevistas e com perspectiva de queda ainda maior na arrecadação devido à atividade econômica que demorará a se recuperar. O que se vê agora são ações conjugadas das entidades regionais puxadas pela Amvat (Associação dos Municípios), com apoio de outras como o Codevat, Avat, Alssepro, CIC Vale do Taquari, lideranças, entidades sociais e a comunidade em geral, numa mobilização que precisa do pronto e rápido apoio material e financeiro dos governos estadual e federal. É o tipo da situação em que tudo precisa acontecer “prá ontem”, pois as necessidades são muitas, começando pelo refazimento dos documentos das pessoas e chegando à recomposição da atividade econômica com a brevidade possível, para que a “roda da vida” comece a girar, novamente, com normalidade. Felizmente os primeiros movimentos da última semana indicam que o apoio estadual e federal virá e em tempo. A natureza é incontrolável, mas, as nossas ações o são. Por fim, um agradecimento a Deus por ter permitido que o prejuízo se restringisse às questões materiais. Estas, por certo, saberemos superar com a força da união e os apoios até aqui vistos. 
Oreno Ardêmio Heineck Presidente da Câmara da Indústria, Comércio e Serviços do Vale do Taquari - CIC Vale do Taquari |